A pescaria exige estratégia, leitura do ambiente e controle comportamental. Tendo isso em vista, Joel Alves destaca que o silêncio não é apenas uma questão de etiqueta no barco ou na margem, mas um fator técnico que influencia diretamente o resultado da atividade. Desse modo, em pescarias esportivas ou recreativas, compreender como os peixes reagem a vibrações e ruídos pode definir o sucesso ou o fracasso da jornada. Ao longo deste artigo, vamos analisar os impactos do silêncio, a sensibilidade dos peixes e práticas que elevam a eficiência na água.
Por que o silêncio é decisivo na pescaria?
Na pescaria, o silêncio funciona como elemento estratégico. Diferente do que muitos imaginam, os peixes não dependem apenas da visão para detectar ameaças. Eles possuem um sistema sensorial altamente desenvolvido, capaz de perceber alterações mínimas no ambiente aquático. Assim, qualquer ruído excessivo pode gerar alerta imediato.
Segundo Joel Alves, as vibrações se propagam com mais intensidade na água do que no ar. Isso significa que passos pesados na margem, batidas no casco do barco ou conversas em volume elevado criam ondas mecânicas que percorrem longas distâncias. Dessa maneira, muitas capturas são perdidas antes mesmo do lançamento da isca, simplesmente porque o peixe já foi alertado.
Além disso, a pressão sonora interfere no comportamento alimentar, como pontua Joel Alves. Peixes em estado de alerta tendem a se afastar ou a reduzir a atividade predatória. Ou seja, manter o silêncio não é superstição, e sim uma técnica aplicada, conscientemente, à pescaria.
Como os peixes percebem vibrações?
Os peixes possuem um órgão sensorial chamado linha lateral. De acordo com Joel Alves, esse sistema detecta deslocamentos de água e variações de pressão. Logo, conforme a dinâmica natural dos ambientes aquáticos, qualquer movimento brusco produz ondas que são facilmente captadas por essa estrutura sensível.

Isto posto, a linha lateral funciona como um radar biológico. Ela identifica aproximação de predadores, movimentação de cardumes e até alterações provocadas por objetos artificiais. Aliás, em águas mais rasas, essa sensibilidade é ainda maior, pois a propagação das vibrações ocorre com menos dispersão.
Quais erros comprometem o silêncio na pescaria?
Mesmo pescadores experientes podem cometer falhas que prejudicam o desempenho. Pensando nisso, a seguir, separamos algumas práticas que devem ser evitadas para manter a discrição sonora:
- Bater portas ou compartimentos do barco com força;
- Arrastar caixas térmicas ou equipamentos sobre superfícies rígidas;
- Utilizar motores em rotação alta próximo ao ponto de pesca;
- Falar em volume elevado durante a aproximação;
- Pisar com impacto excessivo em estruturas flutuantes.
Esses comportamentos geram vibrações que se propagam rapidamente pela água. Assim, após reduzir essas interferências, percebe-se maior estabilidade no comportamento do cardume. Portanto, o silêncio deixa de ser detalhe e passa a integrar a estratégia central da pescaria.
O silêncio influencia todos os tipos de pesca?
Sim, embora o grau de influência varie conforme o ambiente. Uma vez que em rios com correnteza forte, o ruído natural da água pode mascarar parte das vibrações, conforme ressalta Joel Alves. Ainda assim, movimentos bruscos continuam sendo percebidos. Já em lagos e represas de águas calmas, o silêncio torna-se ainda mais relevante.
Em contrapartida, espécies acostumadas a ambientes urbanos podem tolerar níveis moderados de ruído. Contudo, isso não elimina a vantagem competitiva de uma abordagem silenciosa. Sem contar que a pescaria noturna exige atenção redobrada. Pois, como a visibilidade é reduzida, os peixes tendem a confiar ainda mais em estímulos sensoriais como vibração e som.0
O silêncio como um fator relevante na pescaria
Em conclusão, na pescaria, o silêncio não deve ser visto apenas como recomendação tradicional, mas como uma ferramenta estratégica baseada na biologia dos peixes e na física da propagação sonora. Até porque a sensibilidade às vibrações demonstra que cada atitude à margem ou no barco impacta diretamente o ambiente subaquático.
Logo, controlar ruídos, minimizar impactos e adotar postura consciente elevam significativamente as chances de sucesso. O silêncio, portanto, transforma-se em diferencial competitivo, integrando conhecimento técnico e prática eficiente em qualquer modalidade de pescaria.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

