A iniciativa ocorre poucos dias antes do início da propaganda eleitoral e reforça a preocupação com conteúdos falsos, deepfakes e uso de inteligência artificial.
As eleições de 2026 entram em uma fase decisiva a partir desta semana, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acaba de ampliar sua estrutura para enfrentar um dos principais desafios da disputa: a circulação de desinformação e o uso de inteligência artificial para manipular conteúdos políticos. Na última semana, a Corte criou o Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional nas Eleições 2026, que terá a missão de acompanhar riscos relacionados à informação durante o processo eleitoral. (Justiça Eleitoral)
A movimentação ocorre em um momento especialmente importante para os eleitores. O período de propaganda eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto, enquanto partidos e candidatos avançam nas convenções e nos pedidos de registro. (Justiça Eleitoral) Com isso, aumenta também a quantidade de vídeos, mensagens, anúncios e publicações políticas que chegarão aos celulares dos brasileiros. A dúvida que surge é prática: como saber o que é conteúdo legítimo, o que é opinião e o que pode ter sido fabricado artificialmente para influenciar o voto?
Por que o TSE criou um conselho para acompanhar inteligência artificial nas eleições
A criação do Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional mostra que a Justiça Eleitoral considera a desinformação um problema que vai além das notícias falsas tradicionais. Segundo o TSE, o novo órgão terá participação de diferentes setores e deverá acompanhar riscos relacionados à integridade das informações durante as Eleições 2026. A iniciativa ocorre em um cenário no qual ferramentas de inteligência artificial conseguem produzir textos, imagens, áudios e vídeos cada vez mais convincentes, dificultando para o cidadão comum distinguir uma gravação verdadeira de uma montagem. (Justiça Eleitoral)
Essa preocupação ganhou importância porque a tecnologia reduziu o custo e o tempo necessários para produzir conteúdo manipulado. Um vídeo falso de um candidato pode ser criado e compartilhado rapidamente, enquanto a verificação de sua autenticidade pode levar muito mais tempo. O problema não está apenas na existência da falsificação, mas na possibilidade de que uma informação enganosa alcance milhares ou milhões de pessoas antes que veículos de imprensa, plataformas ou autoridades consigam esclarecê-la. Nas eleições, essa diferença de velocidade pode afetar a percepção dos eleitores em um período no qual decisões políticas são tomadas rapidamente.
Para o cidadão, isso significa que a responsabilidade pela checagem não ficará exclusivamente nas mãos da Justiça Eleitoral. O TSE estabelece regras e mecanismos de fiscalização, mas nenhuma instituição consegue analisar individualmente tudo o que circula em redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de vídeo. O eleitor continuará sendo uma peça importante na cadeia de proteção contra conteúdos manipulados, especialmente quando uma publicação provoca indignação imediata, apresenta uma acusação grave ou pede compartilhamento urgente. A orientação mais segura é verificar a origem, procurar confirmação em fontes independentes e desconfiar de conteúdos que parecem feitos para provocar uma reação emocional antes de apresentar informações verificáveis.
O que muda para o eleitor com o início da propaganda eleitoral
O calendário eleitoral coloca 16 de agosto como uma data importante para quem acompanha a disputa de 2026. A partir desse dia, a propaganda eleitoral passa a ser permitida, abrindo oficialmente uma nova etapa da campanha e ampliando a exposição pública de candidatos, partidos e propostas. O próprio TSE destaca que a propaganda tem papel importante para que eleitoras e eleitores conheçam projetos e posicionamentos antes da votação. (Justiça Eleitoral)
Isso também significa que o volume de informação política tende a aumentar significativamente. O eleitor poderá encontrar conteúdos patrocinados, vídeos de campanha, entrevistas, debates, mensagens em redes sociais e materiais produzidos pelos próprios candidatos. A existência de mais informação, entretanto, não significa necessariamente que seja mais fácil tomar uma decisão, porque conteúdos verdadeiros podem aparecer misturados com opiniões, interpretações, propaganda e material enganoso. Por isso, a principal habilidade durante a campanha será separar esses diferentes tipos de conteúdo antes de considerar uma informação como fato.
O calendário das eleições também ajuda a entender por que agosto é um período de transição. As convenções partidárias para escolha de candidatos ocorreram entre 20 de julho e 5 de agosto, enquanto o prazo para apresentação dos pedidos de registro de candidatura vai até 15 de agosto. (Sitdoc) Isso significa que a composição definitiva das disputas ainda está sendo formalizada quando a propaganda começa. Para o eleitor, acompanhar as informações oficiais do TSE pode ser mais útil do que depender exclusivamente de publicações compartilhadas nas redes sociais, principalmente para confirmar candidaturas, regras e datas.
Como o eleitor pode se proteger de conteúdos falsos em 2026
O desafio da desinformação não termina com a criação do novo conselho. Na prática, a população continuará recebendo conteúdos políticos por diferentes canais, inclusive mensagens privadas e grupos de aplicativos. Uma das dificuldades é que a inteligência artificial pode ser utilizada para imitar voz, aparência e maneira de falar de uma pessoa, criando vídeos ou áudios aparentemente autênticos. Quanto mais sofisticada a ferramenta, maior é a necessidade de conferir a informação por outros meios antes de acreditar ou compartilhar.
O eleitor pode adotar uma rotina simples de verificação. Quando receber um vídeo ou áudio político de grande impacto, vale procurar a declaração original, verificar se veículos jornalísticos confiáveis noticiaram o mesmo fato e consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral. Também é importante observar a data do conteúdo, porque materiais antigos podem voltar a circular durante a campanha como se fossem acontecimentos recentes. O TSE mantém uma página específica sobre as Eleições 2026, reunindo informações sobre calendário, legislação, pesquisas, segurança da urna e outros assuntos de interesse do eleitor. (Justiça Eleitoral)
A preocupação com inteligência artificial também acompanha uma transformação mais ampla da própria comunicação eleitoral. A urna eletrônica, por exemplo, terá uma nova interface em 2026, com telas redesenhadas, barra de progresso, nova fonte e ampliação dos recursos de acessibilidade, incluindo maior utilização de Libras. (Justiça Eleitoral) Ao mesmo tempo em que a tecnologia procura facilitar a votação, ferramentas digitais tornam a disputa informacional mais complexa. O eleitor, portanto, terá de lidar com tecnologia em duas frentes: na própria experiência de votar e na maneira como recebe informações sobre candidatos e propostas.
A criação do conselho pelo TSE representa uma tentativa de antecipar problemas antes que a campanha eleitoral atinja seu momento de maior intensidade. A medida não significa que todo conteúdo produzido com inteligência artificial será necessariamente ilegal, nem que toda informação controversa será considerada desinformação. O ponto central é preservar a integridade do processo eleitoral e reduzir o impacto de manipulações capazes de enganar o eleitor.
Para quem vai votar em 2026, a principal mudança é a necessidade de desenvolver uma postura mais cuidadosa diante do conteúdo político digital. A campanha começa oficialmente em 16 de agosto, e a tendência é de crescimento acelerado da quantidade de informações disponíveis. Nesse cenário, conferir antes de compartilhar deixa de ser apenas uma recomendação de segurança digital e passa a fazer parte do exercício de cidadania. A melhor proteção contra uma informação falsa continua sendo a combinação de fontes confiáveis, atenção ao contexto e disposição para verificar antes de acreditar.

