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DREX e tokenização: para onde caminha o dinheiro digital no Brasil?

Paulo de Matos Junior

Enquanto o mercado de criptoativos se adapta às novas regras do Banco Central, outro projeto ligado ao futuro do dinheiro digital no país segue em transformação: o DREX. Para quem, como Paulo de Matos Junior, acompanha de perto a evolução dos ativos digitais no Brasil desde 2017, a reformulação do projeto e o crescimento acelerado da tokenização de ativos reais mostram que o interesse por esse tema está longe de ser passageiro.

O DREX nasceu como proposta de moeda digital do Banco Central, construída inicialmente sobre uma rede de registro distribuído. Ao longo de 2025, porém, o próprio Banco Central reconheceu limitações técnicas nesse modelo e decidiu redirecionar o projeto, abandonando a infraestrutura original em favor de uma abordagem mais pragmática, voltada a resolver problemas concretos do sistema financeiro.

Uma mudança de rota, não um abandono do projeto

O DREX não foi descontinuado, mas passou por uma reformulação de estratégia. A nova fase concentra esforços na criação de um ambiente interoperável para ativos tokenizados, com a moeda de liquidação das transações permanecendo sob responsabilidade da autoridade monetária. O foco inicial passou a ser a reconciliação de gravames, um gargalo operacional que hoje gera custos relevantes para o sistema financeiro brasileiro. Essa mudança de rota reflete um movimento mais amplo no setor: em vez de tentar recriar uma estrutura totalmente nova, o Banco Central optou por resolver primeiro problemas práticos, como o registro de garantias, deixando funcionalidades mais avançadas para etapas futuras do projeto.

Enquanto o Banco Central redesenha o DREX, o mercado privado de tokenização de ativos ganhou tração significativa no Brasil. Recebíveis, cotas de fundos e títulos de dívida vêm sendo transformados em tokens negociados em redes de blockchain, um movimento que cresceu de forma expressiva nos últimos meses e já movimenta valores relevantes em ativos digitais lastreados em bens reais. Para Paulo de Matos Junior, esse crescimento reforça uma tendência: a tokenização deixou de ser um conceito teórico e passou a ter aplicação prática em recebíveis do agronegócio, cotas de investimento e outros instrumentos financeiros que antes tinham pouca liquidez.

Quais desafios ainda precisam ser resolvidos?

Apesar do avanço, especialistas apontam desafios técnicos e regulatórios importantes. A proteção de dados pessoais, prevista na Lei Geral de Proteção de Dados, e o sigilo bancário tradicional impõem limites a soluções de registro totalmente públicas. Encontrar um equilíbrio entre transparência, rastreabilidade e privacidade continua sendo um dos principais obstáculos para a maturidade desse tipo de infraestrutura.

Outro desafio está na padronização. Diferentes redes de blockchain vêm sendo usadas para tokenizar ativos no Brasil, o que levanta a questão da interoperabilidade entre elas. Sem padrões comuns, o risco é o de um mercado fragmentado, no qual ativos tokenizados em uma rede não conversam facilmente com os registrados em outra. É esse tipo de gargalo técnico que Paulo de Matos Junior aponta como prioridade para os próximos passos do setor.

Paulo de Matos Junior
Paulo de Matos Junior

Como o Brasil se compara a outros países nesse tema?

O movimento brasileiro não acontece isolado. Diversos bancos centrais ao redor do mundo estudam ou já testam suas próprias moedas digitais, em um esforço que reflete a busca por sistemas de pagamento mais eficientes e por infraestrutura capaz de sustentar a tokenização de ativos em escala. Para Paulo de Matos Junior, a diferença está no ritmo e na abordagem técnica escolhida por cada país, e o Brasil optou por priorizar soluções práticas antes de avançar para funcionalidades mais complexas de programabilidade monetária.

Essa postura mais cautelosa tem vantagens e limitações. Por um lado, reduz o risco do projeto avançar sobre problemas técnicos ainda não resolvidos, como os relacionados à privacidade de dados em redes de registro distribuído. Por outro, adia a chegada de funcionalidades mais ambiciosas, como contratos inteligentes plenamente integrados ao sistema financeiro, que dependem de uma infraestrutura mais madura para funcionar em escala nacional.

O que essa convergência pode significar para o investidor?

Para quem investe ou pretende investir em ativos digitais, o avanço do DREX e da tokenização aponta para um sistema financeiro cada vez mais integrado, no qual criptoativos, ativos tokenizados e moeda digital de banco central passam a conviver sob regras mais claras. Isso não elimina a necessidade de avaliação cuidadosa de cada produto, mas indica um caminho de maior formalização para o setor como um todo.

Esse tipo de convergência entre tecnologia, regulação e mercado financeiro tradicional é acompanhado de perto por quem construiu experiência no setor ao longo dos anos, como Paulo de Matos Junior, que vê nesse movimento mais um capítulo da aproximação entre o universo cripto e o sistema financeiro formal brasileiro.

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