Levantamento da Serasa Experian revela fraudes mais rápidas, organizadas e impulsionadas por inteligência artificial em todo o país.
Quem depende da internet para pagar contas, fazer compras ou acessar serviços públicos convive, sem perceber, com uma indústria criminosa que não para de crescer. Um levantamento recente da Serasa Experian, batizado de Mapa da Fraude, mostra que surge um novo risco digital a cada 13 minutos no Brasil em 2026, somando páginas falsas, tentativas de cadastro fraudulento e novas formas de roubo de identidade. O estudo acompanha cada etapa da chamada jornada digital do consumidor, desde a criação de perfis falsos até a abertura irregular de contas em bancos e fintechs. O resultado é um retrato preocupante: mais da metade da população economicamente ativa do país já foi vítima de algum tipo de fraude, segundo a companhia. Esse número ajuda a explicar por que o assunto virou pauta recorrente em famílias e empresas que tentam entender como se proteger.
Como a fraude digital virou um negócio organizado
A Exame mostrou recentemente que a fraude digital deixou de ser uma atividade improvisada para se tornar um mercado estruturado. Segundo a reportagem, baseada em dados da Serasa Experian, só no primeiro trimestre de 2026 foram registradas mais de 19,7 milhões de mensagens relacionadas a golpes circulando em grupos e canais online, o equivalente a 152 mensagens por minuto. A empresa monitorou mais de dois mil grupos e canais usados por criminosos para compartilhar métodos, vender ferramentas prontas e até oferecer suporte para quem quer aplicar fraudes. Na comparação anual, o volume de trocas de informações entre fraudadores cresceu 139%, sinal de que o crime online está cada vez mais profissionalizado e organizado em rede, como qualquer negócio digital legítimo.
O efeito prático dessa organização aparece nos números do próprio Mapa da Fraude. O Brasil registra atualmente quatro novos sites falsos por hora, segundo a Serasa, e as tentativas de fraude em processos de cadastro e validação de identidade no setor financeiro, chamados de onboarding, cresceram 36,6% apenas no primeiro trimestre do ano. Para o vice-presidente de Autenticação e Prevenção a Fraudes da Serasa Experian, Eric Dhaese, a lógica do crime hoje se aproxima da de uma plataforma digital comum: um criminoso encontra uma falha, transforma esse conhecimento em um método replicável e o revende para outras pessoas, criando uma espécie de franquia da fraude. Esse modelo escalável explica por que um único golpe bem-sucedido pode se multiplicar rapidamente entre diferentes grupos criminosos no país.
Por que os golpes estão cada vez mais difíceis de identificar
Parte da dificuldade em reconhecer um golpe hoje vem do uso de inteligência artificial pelos próprios criminosos. Ferramentas de geração de texto, voz e imagem tornam mais fácil reproduzir documentos oficiais, sites de órgãos públicos e até comunicações que parecem vir de empresas conhecidas. O próprio Revista Conexão já mostrou como fraudadores têm usado o nome do portal gov.br para aplicar golpes, criando páginas que imitam serviços públicos legítimos para roubar dados pessoais e bancários. Esse tipo de golpe se aproveita da confiança que o brasileiro tem em canais oficiais do governo, o que torna a verificação da fonte um passo cada vez mais necessário antes de qualquer pagamento ou cadastro feito pela internet.
Outro fator que dificulta a identificação é a velocidade com que esses golpes se adaptam. Quando uma fraude específica passa a ser amplamente divulgada e reconhecida pelo público, os criminosos costumam ajustar o discurso, trocar nomes de empresas usadas como isca e criar novas variações da mesma estrutura. Como mostram os dados da Serasa, a entrada mais comum para esses golpes continua sendo a criação de contas e cadastros fraudulentos no setor financeiro, o que reforça a importância de bancos e fintechs investirem em mecanismos de autenticação mais robustos. A expectativa da própria empresa é que o amadurecimento regulatório e a adoção de validações mais rígidas ajudem a reduzir essa porta de entrada nos próximos anos.
O que pode reduzir o impacto desses golpes no dia a dia
Diante desse cenário, especialistas reforçam alguns cuidados básicos que ainda fazem diferença. Vale desconfiar de cobranças urgentes, links recebidos por mensagem e pedidos de dados bancários fora dos canais oficiais de cada empresa ou órgão público. Conferir o endereço completo de qualquer site antes de inserir informações pessoais, evitar baixar boletos enviados por e-mails desconhecidos e usar sempre os aplicativos oficiais dos bancos são medidas simples que ajudam a evitar boa parte das fraudes mapeadas pela Serasa. Quando a vítima identifica rapidamente que caiu em um golpe, o contato imediato com o banco e o registro de boletim de ocorrência também aumentam as chances de bloqueio dos valores antes que sejam totalmente repassados aos criminosos.
Para empresas, a recomendação caminha na mesma direção: investir em autenticação reforçada, monitoramento de comportamento de usuários e parceria com órgãos de proteção ao crédito ajuda a identificar tentativas de fraude antes que se concretizem. A Serasa já trabalha em uma frente que vai além do bloqueio de transações suspeitas, buscando impedir que a inteligência artificial e as redes organizadas de criminosos transformem a fraude digital em um modelo de negócio cada vez mais lucrativo. Esse esforço conjunto entre consumidores, empresas e reguladores tende a ser o caminho mais eficaz para conter o avanço de um problema que, segundo os próprios números do setor, segue crescendo ano após ano.
O avanço da fraude digital no Brasil mostra que a segurança online deixou de ser um cuidado opcional e passou a fazer parte da rotina de qualquer pessoa conectada. Os números do Mapa da Fraude da Serasa Experian confirmam que o crime organizado encontrou no ambiente digital um espaço fértil para crescer, mas também indicam onde estão as principais brechas a serem corrigidas. Enquanto a regulamentação e a tecnologia de prevenção evoluem, a atenção do próprio usuário continua sendo a primeira linha de defesa. Verificar fontes, desconfiar de urgências e manter contas e cadastros sempre atualizados são hábitos simples que, somados, fazem diferença real na proteção contra os golpes que mudam de forma quase todos os meses.
Fontes:
- https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/a-cada-13-minutos-surgiu-um-novo-risco-digital-no-brasil-em-2026-mostra-serasa/
- https://exame.com/invest/minhas-financas/fraude-digital-virou-negocio-golpistas-vendem-kits-e-atacam-a-cada-5-segundos/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

